domingo, 6 de setembro de 2009

Portal para o Cordel

PORTAL PARA O CORDEL


Autores: Alessandra G. n°01; Iris S. n°10; Isabella M. n°11; Letícia A. n°15; Letícia P. n°16; Marina K. n°24; Talita S. n°30.


Personagens/fantoches:
O espantalho politizado = Marina K. n°24.
A bruxa compulsiva por compras (TOC) = Isabella M. n°11.
O leão comilão = Letícia A. n°15.
O mágico atrapalhado = Letícia P. n°16.
A princesa envolvida em obras sociais = Iris S. n°10.
A garotinha brincalhona = Talita S. n°30.
O homem de lata esportista = Alessandra G. n°01.

História:
Todos querem passar para uma nova dimensão (portal) e devem explicar o que buscam no portal.



Introdução = Marina


Portal para o cordel
Todos querem passar
Para uma nova dimensão
E precisam justificar
A sua contribuição...

Vou narrar para vocês
A história do portal
Tenho certeza freguês
Vai achar fenomenal,
E se quiser criticar
No final é só falar.

Cada um com sua história
Vai procurar na memória
Um motivo genial
Para passar no portal.


Espantalho = Marina


Eu sou o espantalho
Adoro ficar no orvalho,
Na verdade quero ir
Para poder contribuir
Para espantar bem de lá,
A vida de marajá
Dos políticos safados
Que estamos cansados,
De tanto ouvir falar
“Sem nada a declarar”

Quero então lhes lembrar
Que na hora de votar,
Com tantos fatos então
Os políticos de plantão
Encontrarão a punição

E você bruxa faceira
O que tem nessa frasqueira...


Bruxa Fashionilda = Isabella

Uma bruxa do oeste sou,
Que saiu de seu castelo
E até este portal voou,
Pelo caminho amarelo
E eis que cá estou
Em busca de novidade
Para levar à minha cidade

De comprólatra sou taxada
E venho por essa estrada
Toda cheia de animação
Procurando uma promoção.

Quero novas poções
E algumas roupas e sapatos.
Sempre busco nas liquidações
Os preços mais baratos.
Pois sou uma bruxa esperta
Em busca da melhor oferta.
Procuro neste portal
Um lugar genial
Pra uma compra bacana
Sem gastar muita grana.

Procuro bolsa Louis Vuilton
E óculos da Prada
Da Chanel quero o batom
Pra ficar alinhada
Também vou comprar
Um feitiço de transmutar.

Em Oz, onde moro
Contra a feiúra laboro
Faço encantos com presteza
Sempre a favor da beleza.
E você Leão João
Que procuras então?


Leão comilão = Letícia A


Sou o leão João
Não hesito em comer pão
Com mortadela ou presunto
Comer é meu assunto

Comer não é difícil,
Na verdade é meu ofício
Sei que nele levo jeito
Mas faço esse sacrifício
Pronto, esta feito
Não passei na faculdade
Não gosto de dificuldade
A minha prova comi
Só para me divertir

Gosto do ano novo e do natal
Quando a comida é especial
Tem porco e sete uvas
Mesmo em período de chuvas

Não sigam meu exemplo
Sou um leão barrigudo
Tem comida lá dentro?
Nosso portal tá com tudo
E você homem sarado
Que adora ficar malhado
O que acha legal
Para o nosso portal...


Homem de lata = Alessandra

Trago muito ofício
Para quem não gosta de exercício,
E muita dedicação
Na hora da musculação

Andar de bicicleta
Faz você ficar ereta,
Vamos todos malhar
Para saúde gozar,
Com todos se mexendo
Nada de ficar só comendo

Natação, futebol ou basquete
Vamos fazer uma enquete
Seja qual for sua preferência
Vamos ter paciência
Prometo contribuir
Para tudo fluir

Na hora da preguiça
Nada de comer lingüiça
Nem de ficar parada
Tomando abacatada
É hora de se mexer
E tudo vai florescer
O esporte e o lazer
Fazem você crescer
E a lição aprender
E agora nossa princesinha
Quer dizer uma coisinha...



Princesa = Iris


Sou a princesa Gertrudes
Talvez com algumas virtudes,
Mas o que me faz chorar
É ver um sorriso no olhar,
Daqueles que nada tem
Quando a escola vem,
Pois levar educação
É a minha missão...

E você fique atento
E não olhando pro vento
Pois além da educação
Também é necessária
Uma boa refeição,
Merenda escolar
É para saborear,
Estudar e brincar
Só depois de merendar.
E você doce menina danada
Quer tomar uma bananada?



Menina = Talita


Ha! Ha! Ha!, sou Dorothy,
A menina brincalhona
Que com tudo se emociona.
Neste mundo de injustiça
O que menos me enfeitiça
É olhar tanta pobreza
Sendo tratada com frieza.

Sem nada por fazer
Eu sou um pequeno ser
Sem poderes de conduta
Apesar de minha luta.
Penso nisso todo dia
Em levar muita alegria
Pra esse povo tão sofrido,
Rejeitado e esquecido.

Vai pra igreja se apegar
Pedindo a Deus pra lhe ajudar.
Mas vem um bispo charlatão
Que só pensa no cifrão
E esse povo tão sofrido
Acredita no bandido.

Pobrezinho do coitado
É iludido e enganado
Sem nenhum tostão furado
Entrega o pouco que ele tem,
Vai pra casa chateado
Vê seu lar desmantelado
Sem ter como ir além.

Pra pobreza ter um fim
Todos vão agir assim
Ajudar seu semelhante
Pra mudar o seu semblante.

E agora pessoal
Vou dizer o mais legal
Tristeza e melancolia
Nunca mais neste portal.
E você mágico gabola
O que tem nesta cartola?



Mágico = Letícia P


Meu nome é Pacífico
O mágico magnífico
Tudo o que propuseram
Ofereço uma porção:
Justiça, lazer, educação,
Esporte e saúde de montão
Além da diversão

Tenho algumas virtudes,
Mas as minhas atitudes
Quase nunca dão certo
Pois não sou muito esperto

Vim aqui justificar
Porque pelo portal devem passar
Pois ofereço diversão e muita animação...
Como irão brincar?
Sem ninguém para animar?
Os palhaços e crianças
Serão a única esperança
De sorrir e divertir
Os que nunca vão dormir

Um feitiço vou usar
Para pelo portal passar
Para vossa felicidade
Todos os sonhos serão realidade
1, 2, 3 pelo portal passarão de uma vez....




Marina

O mágico atrapalhado
No final fez tudo errado
Pois o feitiço errou
E pelo portal ninguém passou....

Literatura de Cordel


Jararaca- o cangaceiro militar

http://www.abcl.com.br/





Literatura de Cordel

O que é?



A literatura de cordel, tanto pela sua parte poética, como pela arte da xilogravura, é considerada uma das mais interessantes expressões da arte brasileira.
A literatura de Cordel são folhetos ilustrados com o processo de xilogravura e escritos geralmente em versos (sextilhas, septilhas ou décimas), que se parecem poesias e que contam histórias diversas. Podem falar de eventos importantes, pessoas conhecidas, historinhas de amor, dramas, aventuras, fantasia, ou qualquer coisa que vier à cabeça do artista. Portanto, a literatura de cordel pode ser resumida como poesia narrativa, popular e impressa.
Ganhou este nome porque, em Portugal, eram expostos ao povo amarrados em cordões, estendidos em pequenas lojas de mercados populares ou até mesmo nas ruas. Herdamos o nome (embora a maioria chame esta manifestação de folheto), mas a tradição do barbante não perpetuou. Ou seja, o folheto brasileiro pode ou não estar ou não exposto em barbantes.






Folhetos expostos amarrados em cordões







O sucesso do Cordel ocorre em função do preço baixo, do tom humorístico de muitos deles, e também por retratarem fatos da vida cotidiana, da cidade ou da região. Os principais assuntos retratados nos livretos são: festas, política, secas, disputas, brigas, milagres, vida dos cangaceiros, atos de heroísmo, milagres, morte de personalidades, etc. tendo, muitas vezes, função jornalística a respeito destes assuntos.











Geralmente estes pequenos livros são vendidos pelos próprios autores. Como é uma manifestação muito mais cultural do que intelectual, destaca-se em regiões onde a cultura é mais valorizada. Fazem grande sucesso em estados como Pernambuco, Ceará, Alagoas, Paraíba e Bahia, onde os exemplares têm larga tiragem e são vendidos nas feiras populares.
Atualmente, esta manifestação popular pode ser encontrada em diversos pontos do país e não só nas feiras do Nordeste, sempre incentivada pelas comunidades nordestinas.
Em algumas situações, estes poemas são acompanhados de violas e recitados em praças com a presença do público, porém "Cordel" é diferente de "Repente".

Para saber mais sobre a métrica dos cordéis:
Link;
Métricas do Cordel
http://www.ablc.com.br/index.htm














(postado por Isabella, nº11 6ª D)


Xilogravura



O que é? Lista com marcadores



“Há que junto com o cordel


sempre tem uma figura,


o que danada é essa imagem


chamada xilogravura?”




http://blog.teatrodope.com.br/2007/05/09/literatura-de-cordel-xilogravura-temas-e-ensino/



A palavra xilogravura veio do grego: “xilon” significa madeira e “grafus” significa gravar.
A xilogravura é um processo de gravação em relevo que utiliza a madeira como matriz e possibilita a reprodução da imagem gravada sobre papel ou outro produto qualquer, como por exemplo, tecidos.
Para fazer uma xilogravura é preciso uma prancha de madeira e ferramentas de corte, com as quais se cava a madeira de acordo com o desenho planejado. É uma técnica simples e barata bastante utilizada nas ilustrações das capas dos folhetos de cordel. Os gravadores nordestinos fabricam suas próprias ferramentas de corte com instrumentos improvisados, como pregos e varetas de guarda-chuva, por exemplo, para conseguirem diferentes efeitos.
Nas xilogravuras, ou "tacos”, como ainda hoje preferem chamar os artistas populares, usa-se madeiras leves, como umburana, pinho, cedro e cajá. O gravador Dila foi o primeiro a usar matrizes de borracha vulcanizada, inaugurando assim a linogravura do cordel (feitas com linóleo: um material usado em pisos).





Matriz de Xilogravura


http://www.ablc.com.br/gravuristas/gravuristas.htm

Na xilogravura, as áreas cavadas não recebem tinta e a imagem vista na madeira sai espelhada na impressão; se houverem textos, gravam-se as letras ao contrário, semelhante a um carimbo.
Depois de gravada, a matriz recebe uma fina camada de tinta que é espalhada com a ajuda de um rolinho de borracha. Para fazer a impressão, basta posicionar uma folha de papel sobre a prancha previamente passada na tinta e fazer pressão manualmente ou com a ajuda de uma prensa.







Impressão manual
http://www.usp.br/espacoaberto/arquivo/2006/espaco71set/atualiza/notas.htm




O cordel antigo não trazia xilogravuras. Os editores dos livretos decoravam as capas para torná-las mais atraentes, chamando a atenção do público para a história narrada. Suas capas eram ilustradas apenas com vinhetas, ou seja, pobres arabescos usados nas pequenas tipografias do interior nordestino. A xilogravura, como ilustração, feita sob encomenda para determinado título, nasceu da necessidade de substituir os clichês de filmes já gastos. Por isso não é difícil encontrar xilogravuras de capa de cordel imitando desenhos e fotografias de clichês. Apenas na década de trinta, surgiram folhetos trazendo nas capas clichês de artistas de cinema, fotos de postais, retratos de Padre Cícero e Lampião. A xilogravura popular nordestina ganhou fama pela qualidade e originalidade de seus artistas.



Curiosidade



Matéria publicada no Diário do Nordeste:
"100 anos depois, artistas-xilógrafos continuam sendo formados na arte de ilustrar o cordel. Juazeiro do Norte, o grande celeiro do Brasil. De hoje a sexta-feira, acontece, no município, o seminário ‘100 anos da xilogravura ilustrando o cordel”. Para quem decretou a morte desse ofício nos anos 60, no advento da indústria cultural dos frankfurtianos, não pensava no volume de pesquisas em torno do assunto a se lançar. Novas linguagens para traduzir o mundo e os seus encantos. Mas continua no papel jornal a linha da trova, desde os inícios, com a oralidade e também o rebuscamento da arte na matriz da umburana.O cordel ilustrado com uma xilogravura, escrito por Francisco das Chagas Batista, em 1907, com “A História de Antônio Silvino”, marca o centenário. A autoria da xilo é desconhecida, mas o professor da Universidade de Brasília (UnB), em Sociologia do Conhecimento, Geová Sobreira, destaca os traços primorosamente trabalhados, com finos detalhes de acabamento, riscos delicados e profundos."






Ilustração do cordel "O viajante e o sábio"

do Livro "Uma sentença, uma aventura e uma vergonha".


(postado por Isabella, nº11, 6ª D)
Bibliografia:

Histórico: quando, onde e como se desenvolveu

Histórico: quando, onde e como se desenvolveu.


A literatura de cordel é uma manifestação cultural na qual por meio da escrita, são transmitidas as cantigas, os poemas, e as histórias do povo, contadas pelo povo.
As primeiras manifestações da literatura popular no ocidente ocorreram por volta do século XII. No Sul da França peregrinos partiram em direção à Palestina; no norte da Itália, para chegar à Roma e ainda a Galícia. Nesses encontros, de forma muito primitiva, eram transmitidas as histórias e compostos os primeiros versos. Assim surgiram os primeiros núcleos da cultura regional que se espalharam pela Europa e, posteriormente pela América. Na época dos povos conquistadores greco-romanos, fenícios, cartagineses, saxões, etc, a literatura de cordel já existia, tendo chegado à Península Ibérica (Portugal e Espanha) por volta do século XVI. Na Península a literatura de cordel recebeu os nomes de "pliegos sueltos" (Espanha) e "folhas soltas" ou "volantes" (Portugal).


No Brasil a literatura de cordel chegou no século XVIII, através dos portugueses. A literatura de cordel chegou no balaio e no coração dos nossos colonizadores, instalando-se na Bahia e mais precisamente em Salvador. Dali se irradiou para os demais estados do Nordeste. A pergunta que mais inquieta e intriga os nossos pesquisadores é "Por que exatamente no nordeste?". A resposta não está distante do raciocínio livre nem dos domínios da razão. Como é sabido, a primeira capital da nação foi Salvador, ponto de convergência natural de todas as culturas, permanecendo assim até 1763, quando foi transferida para o Rio de Janeiro.

Florescente, principalmente, na área que se estende da Bahia ao Maranhão é maravilhosa manifestação da inteligência brasileira.

Aos poucos, foi se tornando cada vez mais popular. Nos dias de hoje, podemos encontrar este tipo de literatura, principalmente no nordeste brasileiro. Uma das regiões de colonização mais antiga do Brasil, que mescla melhor as heranças indígenas, africana e européia. O folclore está presente no artesanato, no teatro (autos populares), na música, na dança e na literatura de cordel. Ainda são vendidos em lonas ou malas estendidas em feiras populares.


04Jul2009 - JOÃO GOMES DE SÁ - Cordel: Salário Mínimo
youtube.com
FRAGMENTOS DO 1º ENCONTRO DA CARAVANA DO CORDEL SÃO PAULO - SP - 04/07/2009 ... caravana cordel literatura costa senna marco haurelio caca lopes varneci nascimento joao gomes sa ...
youtube.com

22Ago2009 - Videoclipe Caravana nO Autor
youtube.com
e artistas convidados - Espaço Plínio Marcos - Tenda na Feira de Artes da Praça Benedito Calixto - Pinheiros - São Paulo - SP - 22/08/2009 ... caravana cordel literatura costa ...
youtube.com


22Ago2009 - Edson Lima
video.tiscali.it
Combate à Corrupção Eleitoral (Teo Azevedo) O Autor na Praça recebe a Caravana do Cordel Praça Benedito Calixto, São Paulo, SP - 22/08/2009 ... caravana cordel literatura ...
video.tiscali.it





Casal nordestino

http://mluciasilva.wordpress.com/2009/03/20/hello-world/



De custo baixo, geralmente estes pequenos livros são vendidos pelos próprios autores.

Fazem grande sucesso em estados como Pernambuco, Ceará, Alagoas, Paraíba e Bahia.

Este sucesso ocorre em função do preço baixo, do tom humorístico de muitos deles e também por retratarem fatos da vida cotidiana da cidade ou da região. Os principais assuntos retratados nos livretos são: festas, política, secas, disputas, brigas, milagres, vida dos cangaceiros, atos de heroísmo, milagres e morte de personalidades.






http://www.ablc.cm.br/




Em algumas situações, estes poemas são acompanhados de violas e recitados em praças com a presença do público.







Em plenária, na ABLC, o repentista Miguel Bezerra apresenta a música na literatura de Cordel






Um dos poetas da literatura de cordel que fez mais sucesso até hoje foi Leandro Gomes de Barros (1865-1918). Acredita-se que ele tenha escrito mais de mil folhetos. Leandro foi considerado por Carlos Drummond de Andrade maior que Olabo Bilac. Ele é tão importante para o CORDEL quanto Machado de Assis é para a literatura Brasileira.

http://mundocordel.blogspot.com/2008/03/leandro-gomes-de-barros.html

http://www.camarabrasileira.com/cordel77.htm



Mais recentes, podemos citar os poetas José Alves Sobrinho, Homero do Rego Barros, Patativa do Assaré

(Antônio Gonçalves da Silva), Téo Azevedo. Zé Melancia, Zé Vicente, José Pacheco da Rosa, Gonçalo Ferreira da Silva, Chico Traíra, João de Cristo Rei e Ignácio da Catingueira.Vários escritores foram influenciados pela literatura de cordel. Dentre eles podemos citar: João Cabral de Melo, Ariano Suassuna, José Lins do Rego e Guimarães Rosa.


Carlos Drummond de Andrade também participa da literatura de cordel, com a "Estória de João e Joana" que posteriromente foi musica pelo compositor Sérgio Ricardo.
http://www.releituras.com/i_ciro_drummond.asp


www.ablc.com.br


(postado por Marina n°24, 6ªD)

História do cordel através dos versos

Conheça a história do cordel através dos versos.




O CORDEL: SUA HISTÓRIA, SEUS VALORES
Autores: Marco Haurélio e João Gomes de Sá




No Nordeste brasileiro,
Conservados na memória,


Romances, contos e xácaras

Lembravam a antiga glória

De Portugal e da Espanha,

De que nos fala a História.




Era esse o tempo das gestas

Dos cavaleiros andantes,

E essa poesia rude
Dos bardos itinerantes
Foi trazida para a América


No bojo dos navegantes.




Essa poesia foi
Cantada pelos jograis,


Celebrando os grandes feito

Dos heróis medievais

E também falando sobre

Romances sentimentais.




E quando começa o ciclo

Das Grandes Navegações

De Portugal e da Espanha,

As antigas tradições

Vão se acomodando aos poucos

Pelas novas possessões.




No Brasil, as tradições

Assim vão se fixando,

Com as levas de colonos

Nas caravelas chegando,

As regiões litorâneas

Vão pouco a pouco tomando.




O índio, dono da terra,

Pra não ser escravizado,

Vivendo no litoral

E se sentindo acossado,

Resiste, contudo vê

O seu esforço baldado.






Da África chegam os navios

Dos traficantes negreiros,

Que tornarão em escravos

Os que antes eram guerreiros

E que agora vão servir

À sanha dos fazendeiros.




As etnias e as crenças

São assim amalgamadas

E a cultura popular

Vai recebendo camadas,

Que em todos os segmentos

Até hoje são notadas.




Eis um resumo apressado,

Contudo bem consistente

Para mostrar que a arte

Não brota espontaneamente,

E com o nosso cordel

Também não é diferente.




No Brasil colonial

Um embrião já havia

Do cordel na conhecida

Tradicional poesia,

Ou mesmo na catequese

Que a Igreja promovia.




Excertos da tradição

Que no cordel se encerra

Estão na obra do vate

Gregório de Matos Guerra,

Que foi o maior dos sátiros
À habitar esta terra.




Já no século XIX,

No Brasil imperial,

Resistia a escravidão

Um desnecessário mal.

Esse regime abjeto

Na pena teve um rival.


Foi o bardo Castro Alves,

Grande poeta baiano,

Que na arte que abraçou

No Brasil é soberano,

Lutando contra a injustiça,

No verso se fez arcano.




O grande Gonçalves Dias,

Dos termos do Maranhão,

Compôs na velha linguagem

Sextilhas de Frei Antão.

Portanto, também está

Na linha de evolução.




Porém é da pequenina

Paraíba o privilégio

De ver nascer o poeta

Que empunha o cetro régio

Da poesia do povo,

Templo majestoso, egrégio.




Leandro Gomes de Barros

É o nome do menestrel

Que deu forma e deu essência

Ao que chamamos cordel,

Que da tradição oral

Migrava para o papel.




Grande poeta satírico

E lírico maravilhoso,

Escreveu obras eternas

Como O Boi Misterioso,

E A Donzela Teodora,

De modo criterioso.




De sua lavra saíram

O Reino da Pedra Fina

Também O Príncipe e a Fada,

Que são Baman e Gercina

E o clássico inigualável

Chamado Alonso e Marina.




Outro grande pioneiro

É Silvino Pirauá,

E entre ele e Leandro

Sempre se perguntará

Quem foi que editou primeiro,

E a dúvida persistirá.



Pirauá era de Patos

E Leandro de Pombal.

Ambos vão pra o Recife

E lá se encontram afinal,

Onde Pirauá se mostra

Um cantador genial.


Pirauá introduziu


Na cantoria a sextilha,


Também inventou a deixa,


Que foi uma maravilha.


É por isso que seu nome


Entre os pioneiros brilha.




O Capitão do Navio

É a ele atribuído

E Zezinho e Mariquinha,

Outro folheto querido,

Da memória popular

Nunca mais foi esquecido.




Também entre os pioneiros

Deve ser mencionado

José Galdino, o Zé Duda,

Poeta bem inspirado,

Repentista e de bancada,

Nos dois gêneros afamado.




E Pacífico Pacato

Cordeiro Manso também

Um poeta alagoano,

Que nunca usou de desdém,

Foi um poeta-repórter

Como os que hoje inda tem.




João Melquíades Ferreira

Dedicou-se à cantoria

E no cordel escreveu

O Valente Zé Garcia.

Severino Milanês

Versava com maestria.




E João Martins de Athayde

No cordel foi professor.

Quando Leandro morreu,

Ele tornou-se editor,

Comprando a obra do mestre

Por irrisório valor.




E por quase trinta anos

Escreveu e editou.

Delarme, um jovem tipógrafo,

Que Athayde contratou,

Aprendeu tanto a lição

Que ao próprio mestre ensinou.




Em Recife, onde Leandro

Antes se havia instalado,

Athayde radicou-se

Como editor afamado,

Até por Mário de Andrade

Foi bastante elogiado.




Porém, antes de Athayde,

Na Parahyba do Norte,

Francisco Chagas Batista

Ao cordel dava suporte,

Transformando Guarabira

Num centro difusor forte.




Compôs com Leandro a gesta

Do grande Antônio Silvino,

Que antes de Lampião –

Batizado Virgulino –

Tonou-se o mais afamado

Cangaceiro nordestino.




Chagas Batista, porém,

Sobressaiu-se aos seus pares

Quando escreveu Cantadores

E Poetas Populares,

Que como estudo se mostra

Grande entre seus similares.




José Camelo de Melo

Foi poeta imaginoso.

É o autor do Romance

Do Pavão Misterioso,

O Bom Pai e o Mau Filho,

Outro clássico valoroso...




A Verdadeira História

De Joãozinho e Mariquinha,

Coco Verde e Melancia,

Também Pedrinho e Julinha.

Poeta igual Zé Camelo

Naquele tempo não tinha.




Joaquim Batista de Sena

No verso foi magistral,

Era um editor regido

Pelo espírito fraternal.

A Filha Noiva do Pai

É um título genial.




Neste momento voltamos

A falar de Athayde,

Que no final dos 40,

Já alquebrado, decide

Vender a José Bernardo

Os frutos de sua lide.




José Bernardo da Silva,

Um grande empreendedor,

Que em Juazeiro do Norte

Tornar-se-ia editor,

Pois era de Padre Cícero,

Um sincero seguidor.




Zé Bernardo, alagoano

Radicado em Juazeiro

Com sua tipografia

Naquele grande celeiro

Tornou-se uma referência

Para o cordel brasileiro.




Mesmo no Norte, o cordel

Teve um momento brilhante

Com a célebre Guajarina

Fundada por um migrante

Nordestino no Pará,

Num tempo que vai distante.




Francisco Lopes, nascido

No solo pernambucano,

Em Belém, na Guajarina,

Já no décimo quarto ano

Do século que se findou,

Foi quem reinou soberano.




No Norte editou folhetos

Do poeta genial

Piauiense, Firmino

Teixeira do Amaral,

Que nas pelejas forjadas

Jamais encontrou rival.




Pois colocou frente a frente

Num incrível baticum

O Cego Aderaldo com

Zé Pretinho do Tucum,

Mas sendo este fictício,

Foi um duelo incomum.




Luís da Costa Pinheiro

É outro bardo editado

Em Belém por Chico Lopes,

E até hoje é procurado

Seu romance

O Papagaio Misterioso falado.




Manoel Camilo dos Santos

Também se destacaria

Em Guarabira e Campina,

Na Estrella da Poesia;

O país São Saruê

Descreveu com galhardia.




Em Recife inda surgiu

Outra editora de porte

Porque João José da Silva

Dirigiu e deu suporte

À tipografia que

Chamou Luzeiro do Norte.




Poetas dos mais famosos

Nela foram publicados.

José Camelo de Melo,

Dos mais reverenciados,

Na Casa de João José

Teve livros editados.




Severino Borges Silva

Compôs obras geniais.

O Verdadeiro Romance

Do Herói João de Calais

Deixou seu nome gravado

No Livro dos Imortais.




Inda é autor dA Princesa

Do reino do Mar Sem Fim.

Caetano Cosme da Silva,

Guiado por Eloim,

Fez O Assassino da Honra

Ou A Louca do Jardim.




Manoel Pereira Sobrinho

Teve grande projeção,

Pois Dimas e Madalena,

Rosinha e Sebastião

E Helena, a Virgem dos Sonhos,

Entre os clássicos estão.




Vamos citar Zé Faustino,

Apolinário Pereira

Severino Milanês

E Cirilo de Oliveira,

Manoel Cândido da Silva,

Trovadores de primeira.



Mas o cordel vicejou

Muito além da Paraíba,

Pois em Sergipe há nomes

Que nem o tempo derruba

Como Sátyro Xavier

E o Trovador Cotinguiba.




Do imortal Zé Pacheco

Consta no nosso caderno

A Princesa Rosamunda.

E outro clássico eterno

É o folheto A Chegada

De Lampião no Inferno.




Francisco Sales Arêda

Jamais fez um verso atoa

Versou sobre Malazarte

E fez com prosódia boa

O Romance de João Besta

E a Jia da Lagoa.




Já João Ferreira de Lima

Fez história no sertão.

As Proezas de João Grilo,

Sua maior criação,

Se situa ao lado de

José de Souza Leão.




Na Paraíba nascido,

Em Sergipe radicado,

Manoel D’Almeida Filho

Sempre é reverenciado,

Como um dos grandes valores

Que editaram no passado.






À Editora Luzeiro

Servia de consultor,

Vendeu milhões de exemplares,

Como grande trovador,

E é referência pra muitos

Que admiram seu valor.




A Luzeiro a quem Almeida

Dedicou o seu talento,

Surgiu em 73,

Mas foi um desdobramento

Da Editora Prelúdio,

Nascida noutro momento




A Tipografia Souza

Por um português fundada

Em Editora Prelúdio

Nos 50 é transformada.

Arlindo Pinto de Souza

Lidera a nova empreitada.




Com Antônio Teodoro

Dos Santos cresce o cordel

Na capital bandeirante,

Cumprindo um outro papel

Diferente no formato,

Mas à essência fiel.




Teodoro era baiano,

Assim como Minelvino,

Que vê sua obra no centro

Editorial sulino

Alçar vôo considerável,

Além do chão nordestino.




De Alagoas pra Bahia

Vem Rodolfo Cavalcante.

Era poeta de méritos,

Porém nunca foi brilhante,

Mas como líder da classe

Foi ele o mais importante.




Organizando congressos,

Criando agremiações,

Rodolfo batalhou sempre

Por melhores condições

Pra os poetas que inda hoje

Aplaudem suas ações.




Citemos Antônio Eugênio,

Por dever e por estima,

O grande Apolônio Alves

E Natanael de Lima,

Que ao lado dos outros mestres

Estão no andar de cima.




Cuíca de Santo Amaro

Foi um mau versejador,

Sempre de fraque e cartola,

Nas ruas de Salvador,

Fez do sensacionalismo

O seu mote propulsor.




Grande poeta e xilógrafo

É mestre Enéias Tavares,

Também Cícero Vieira,

Entre os vates populares,

Escreveu obras de peso,

Que inda vendem aos milhares.




Dos xilógrafos que escrevem,

Dila se inclui entre os tais,

J. Borges em Bezerros

É conhecido demais.

Antônio Lucena dorme

O sono dos imortais.




Já João Firmino Cabral,

Poeta conceituado,

Por Gregório Nicoló

Na Luzeiro é editado.

E de Manoel D’Almeida

É seguidor declarado.




Desta geração lendária

Brilha Manoel Monteiro.

Mestre Azulão é arauto

Lá no Rio de Janeiro,

Costa Leite é xilógrafo

Famoso no mundo inteiro.




Em São Paulo Jota Barros

Foi peça muito importante;

Em Patos, Antônio Américo

É verdadeiro gigante.

Na Bahia, Antônio Alves

É estrela fulgurante.




Também Gonçalo Ferreira,

Unindo a experiência

Ao saber adquirido

E à inata inteligência,

Divulga nos seus folhetosI

Informação e ciência.




Preside a Academia Brasileira de Cordel –

Por sigla ABLC –

Recanto do menestrel,

Onde todos são bem vindos,

Do mascate

ao bacharel.




Filho de Francisco Chagas,

Pioneiro cordelista,

Em Anápolis reside

O Paulo Nunes Batista,

Autor de Zé Bico Doce

E brilhante ABCdista.




O cordel está presente

No centro-sul do país

Na arte de Cícero Pedro

E do maranhense Assis,

Costa Senna e Cacá Lopes,

Fazendo o povo feliz.




Moreira de Acopiara

É cordelista aclamado;

E Sebastião Marinho,

Paraibano arretado,

Valdeck de Garanhuns,

Mamulengueiro afamado.




Da novíssima geração

Sobressaem no momento

O jovem Jenerson Alves

E Varneci Nascimento.

Fazem crítica social,

Com muito discernimento.




No Rio, Marcus Lucena

É músico e cordelista;

Bráulio Tavares, poeta,

Escritor e ensaísta;

Chico Salles faz cordel

E é um grande sambista.




Marcelo Soares deve

Ser citado com louvor,

Porque no verso faz arte

E na xilo é professor.

Filho de José Soares,

Respeitado trovador.




Fazendo história na terra

Do velho cego Aderaldo,

Surgiu a Tupynanquim

Com elenco de respaldo:

Rouxinol do Rinaré,

Com Klévisson e Arievaldo.




O Evaristo Geraldo

É irmão de Rinaré.

No Ceará também brilham

Gonzaga de Canindé,

E Pedro Paulo Paulino,

Em quem pomos muita fé.




Zé Maria em Fortaleza,

Cordelista e cantador,

Geraldo Amâncio Pereira

Dispensa apresentador,

O poeta Vidal Santos

É outro batalhador.




O Rio Grande do Norte

Volta a seus dias de glória,

Pois lá Antônio Francisco

Há anos já faz história

E Luiz Campos também

Traça bela trajetória.




Mas as mulheres também

No cordel marcam presença:

Maria Ilza Bezerra

Escreve debate e pensa

Como Clotilde Tavares,

Que tem verve e tem sabença.




Duas outras editoras

Fazem bonito papel:

Queima-Bucha em Mossoró

Dignifica o cordel;

E a Coqueiro no Recife

À nossa arte é fiel.




Já o autor deste folheto

É natural da Bahia.

O seu nome é Marco Haurélio,

Um servo da poesia,

Que em palestras e oficinas

Aos mestres reverencia.




João Gomes, que é da obra

Grande colaborador,

Xilógrafo alagoano,

Poeta, pesquisador,

Premiado teatrólogo,

Músico e compositor.




Desde já agradecemos

Pela sua paciência

Ou mesmo a sua leitura,

Porque temos consciência

Sem leitor não há cordel

E o prêmio do menestrel

É sua honrosa audiência.




(postado por Marina n°24, 6ªD)

Ignácio de Loyola Brandão


Ignácio de Loyola Brandão










Nasceu no dia 31 de julho de 1936, em Araraquara- São Paulo, dia de Santo Ignácio de Loyola. Filho de Antônio Maria Brandão e Maria do Rosário Brandão. Seu pai Antônio incentivou-o a ler e montou uma biblioteca com mais de 500 volumes.
Ignácio, em 1948, quando cursava o ginásio, escreveu seu primeiro romance num caderno, com o título de “Dias de Glória”.
A folha ferroviária publicou no dia 16 de agosto 1952 uma crítica do filme “Rodolfo Valentino”, primeiro texto de Ignácio. A partir daí, Ignácio escreveu reportagens, críticas de cinema e entrevistas. Em 1953, Ignácio viajou para a Itália, onde pretendia trabalhar como roteirista em Cinecittá.
Em 1956, mudou-se para São Paulo e trabalhou no jornal Última Hora por nove anos. Seu gosto pelo cinema fez com que participasse como figurante de O Pagador De Promessas. No Brasil, começou a escrever o romance “Os imigrantes” com seu amigo José Celso Martines Correa.
Em 1965, lança seu primeiro livro: “Depois do sol” (contos).
Em 1968, ocorre o lançamento do seu primeiro romance: “Bebel que a cidade comeu”. Esse romance foi para o cinema com o roteiro do próprio Ignácio. Também nesse ano recebe um prêmio e sua mãe falece aos 60 anos.
Em 1970, Ignácio casou-se com Maria Beatriz Braga (psicóloga) e trabalhou em mais duas revistas.
Em 1974 escreveu o romance “A inauguração da morte”.
Em 1975 escreveu o livro “Zero” que no ano seguinte recebe o prêmio de melhor ficção que foi censurado em novembro do mesmo ano. Em 1977 Ignácio lança “Cães Danados” (infanto-juvenil). Em 78 escreve “Cubas de Fidel” e no ano seguinte o livro “Zero” é liberado da censura.
Em 1981 sai o romance “Não verás país nenhum”.
Em 1984 lança “O verde violentou o muro” e assume a vice-presidência da união brasileira de escritores onde permaneceu até 1986.
Como diretor da revista Vogue, Ignácio volta ao jornalismo, em 1990.
Em 1993, começa a escrever uma crônica no caderno "Cidades" de "O Estado de São Paulo" que, a partir de 2000, seria transferida para o "Caderno 2". Seu pai falece, aos 88 anos.
Em 1996 descobre um aneurisma cerebral e faz um a cirurgia.
Em 1998 publica “Sonhando com o demônio”, seu terceiro livro de crônicas.
Além das obras divulgadas há muitas mais para serem exploradas.
Suas principais obras.
Contos:Depois do sol, Brasiliense, 1965Pega ele, Silêncio, Símbolo, 1976Cadeiras proibidas, Símbolo, 1976Cabeças de segunda-feira, Codecri, 1983O homem do furo na mão, Ática, 1987O homem que odiava segunda-feira, Global, 1999
Romances:Bebel que a cidade comeu, Brasiliense, 1968Zero, Brasília/Rio, 1975Dentes ao sol, Brasília/Rio, 1976Não verás país nenhum, Codecri, 1981O beijo não vem da boca, Global, 1985O ganhador, Glogal, 1987O anjo do adeus, Global, 1995
Infanto-juvenis:Cães danados, Belo Horizonte Comunicações, 1977. Reescrito e publicado com o título "O menino que não teve medo do medo", Global, 1995.O homem que espalhou o deserto, Ground, 1989
Viagens:Cuba de Fidel: viagem à ilha proibida, Livraria Cultura, 1978O verde violentou o muro, Global, 1984
Relatos autobiográficos:Oh-ja-ja-ja (Diário de Berlim, inédito em português). Tradução de Henry Thorau. LCB, 1982Veia bailarina, Global, 1997
Cartilha:Manifesto verde, Círculo do Livro, 1985 e Ground, 1989
Crônicas:A rua de nomes no ar, Círculo do Livro, 1988Strip-tease de Gilda, Fundação Memorial da América Latina, 1995Sonhando com o demônio, Mercado Aberto, 1998
Referências bibliográficas:
http://www.releituras.com/ilbrandao_bio.asp
www.wikipedia.com



(postado por Letícia A. n°15, 6ª D)

Ariano Suassuna

Ariano Suassuna




Ariano Suassuna nasceu em 16 de junho de 1927, atualmente a cidade de João Pessoa, Pernambuco. O seu pai exercia o mandato de Presidente do estado, hoje equivalente a governador. Quanto Ariano Suassuna tinha 3 anos de idade, seu pai deputado federal é assassinado durante a Revolução de 1930. Ele passa grande parte da sua infância no sertão paraibano, primeiro em seu sitio e depois se mudou para Taperóa. Como forma de evitar inimigos, a família de Suassuna mudava-se constantemente. Em 1934 ele começa os seus estudos no Recife e ao terminar o curso Clássico, começa o curso de Direito em 1946 e une-se ao grupo de Teatro do Estudante Pernambuco (TEP), responsáveis pela revalorização da cultura brasileira. De 1946 a 1948 tem seus poemas publicados em revistas e suplementos de jornais. Estes poemas eram ligados ao Romanceiro Popular Nordestino, universo de poemas que inclui desde a poesia improvisada dos cantadores à Literatura de Cordel. Em 1947 escreve sua primeira peça "Uma mulher vestida de sol" e em 1951 ao voltar para Taperóa para curar do pulmão, escreve e encena, com mamulengos, “ Em Boca Fechada não Entra Mosquito” Esta peça é extremamente importante no teatro de Suassuna. Em 1955 escreve um de seus maiores sucessos "Auto da Compadecida". Em 1957 o “Auto da Compadecida” no Rio de Janeiro durante o Primeiro Festival de Amadores Nacionais, Suassuna já era considerado um dos nossos maiores dramaturgos. Esta peça foi premiada com a Medalha de Ouro da Associação Brasileira de Crí­ticos Teatrais e neste ano é publicada em livro. Neste ano ainda casa-se com Zélia Lima e tem 6 filhos com ela. Ao voltar a escrever, publica a"d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta". Já famoso, cria o Teatro Popular do Nordeste, ao lado de Emilio Borba Filho. Publicou depois "O Santo e a Porca", ele já era Membro fundador do Conselho Nacional de Cultura; Diretor do Departamento de Extensão Cultural da Universidade Federal de Pernambuco e começou o movimento criação de uma arte erudita nordestina a partir de suas raízes populares. Com um concerto "Três séculos de música nordestina — do Barroco ao Armorial" — e uma exposição de gravuras, pinturas e esculturas, lança no Recife, em 18 de outubro, o Movimento Armorial. Em 1971, lançou "A Pedra do Reino" e passado um ano ele ganha Prêmio Nacional de Ficção do Instituto Nacional do Livro, No ano de 1990 ele toma posse da cadeira 32 da Academia Brasileira de Letras. Em São José do Belmonte realiza uma cavalgada sobre a Pedra do Reino no qual os participantes deveriam usar trajes como os do romance. Em 1995 é nomeado o secretário estadual da Cultura, pelo governador Miguel Arraes. No Teatro do Parque, No Recife estréia a séria "Grande Cantoria", aula que junta violeiros e repentistas. Depois a sua peça "A história de amor de Romeu e Julieta" é publicada num encarte da "Folha de São Paulo". Em 1998 participa do seu CD "A poesia viva de Ariano Suassuna". O seu grande sucesso "O Auto da Compadecida" vira uma minissérie na Rede Globo, em 1999. Ele também recebe o título de doutor honoris pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte.Ele toma posse agora da cadeira 35 da Academia Paraibana de Letras. Aos 80 anos houve uma grande comemoração pelo Brasil inteiro pela magnitude de seu trabalho.








O Auto da Compadecida é uma reunião de três peças :



O enterro do cachorro,
O cavalo que defecava e
O castigo da soberba.
A peça divide-se em quatro atos que se relacionam e foi publicada em 1955. O título: Auto, significa teatro, gênero dramático, aproximando-se do teatro espanhol medieval do século XVII, com personagens alegóricos. Compadecida é aquela que tem pena, compaixão diante da dor alheia, em uma referência à Nossa Senhora. Era comum apresentar nas peças os milagres de Nossa Senhora. A história é contada em prosa. O cenário é o sertão da Paraíba, na cidade de Taperoá, contando as histórias e casos populares nordestinos. Com muito humor, o autor fala da miséria humana, da mesquinharia das pessoas, do racismo e da luta pelo poder. Revela os costumes regionais, o caráter religioso e católico dos cristãos e a amizade entre João Grilo e Chico. São dezesseis personagens, sendo João Grilo, o personagem principal. A história acontece em um picadeiro de circo. O apresentador é um palhaço, o próprio autor. Ele lembra as peças medievais e seu principal papel é criticar a sociedade. João Grilo é o herói sem caráter, símbolo da malandragem. Pode ser comparado a Macunaíma, personagem de Mário de Andrade e a Leonardo, do livro Memórias de um sargento de milícias. A linguagem é simples. Não é apenas coloquial, mistura o vocabulário nordestino pois é o Nordeste e sua gente que Ariano quer retratar. Hoje o Brasil reverencia esse paraibano que tão bem caracterizou o Nordeste, seu sertão e a luta do seu povo
.




Acervo Ariano

Obras de Ariano Suassuna
Auto da compadecida

d’A pedra do reino e o príncipe do vai-e- volta
O santo e a porca
Farsa da boa preguiça
Uma mulher vestida de sol
A Moça Caetana

A morte sertaneja



(postado por Alessandra n° 1 6D)

Maria Bonomi


Maria Bonomi







Maria Anna Olga Luiza Bonomi (Meina, Itália, 8 de julho de 1935) é uma renomada artista plástica ítalo-brasileira.
Gravadora, escultora, pintora, muralista, curadora, figurinista, cenógrafa e professora, Maria Bonomi veio para o Brasil em 1946, fixando-se em São Paulo. É neta de Giuseppe Martinelli, construtor do primeiro arranha-céu da América Latina, o Edifício Martinelli, datado de 1929.







No início da década de 1950, estudou pintura e desenho com Yolanda Mohalyi e Karl Plattner (1919 - 1989). Em 1954, inicia-se na gravura, com Lívio Abramo.



Realizou sua primeira exposição individual em 1956, no Museu de Arte Moderna de São Paulo. São 58 obras entre monografias e xilogravuras.





Em 1958, recebe uma bolsa de estudos da Ingram-Merrill Foundation e estuda no Pratt Institute Graphics Center, em Nova York. Paralelamente, na Columbia University, estuda gravura e teoria da arte. Neste mesmo ano faz sua primeira exposição individual em N. York na Roland de Aenlle Gallery.
De volta ao Brasil, em 1959, freqüenta a oficina de
gravura em metal de Johnny Friedlaender (1912 - 1992), no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM/RJ.
Em
1960, em São Paulo, funda o Estúdio Gravura, com Lívio Abramo, de quem foi assistente até 1964.
A partir dos
anos 1970, passa a dedicar-se também à escultura. Produz também grandes painéis para espaços públicos.
Em 1974, ela inicia seu primeiro projeto de Arte Pública com o altar da igreja Mãe do Salvador e seguem-se a esse projeto, os painéis do edifício Jorge Rizkallah Jorge e Esporte Clube Sírio.
Maria Bonomi cria para o Hotel Maksoud Plaza, em São Paulo os painéis Arrozal de Bengüet, nos quais reproduz no concreto os sulcos da matriz em madeira. Pela obra, recebe o Grande Prêmio da Crítica de 1979, concedido pela APCA.



Maksoud Plaza

Além de São Paulo, seguem-se obras em Manaus (1983) e em Santiago do Chile (1984).
No Memorial da América Latina ainda em construção, Bonomi ergue o painel Futura Memória. Nele, inscreve tradições míticas latino-americanas que se estendem por todo o continente.





Em parceria com o Governo do Estado de São Paulo, a artista desenvolve diversos projetos. Para o Jardim do Arquivo do Estado de São Paulo, realiza a escultura Páginas, instalada em 1997.



Na estação de metrô Jardim São Paulo, dois cubos em concreto celebram a cidade e aqueles que a construíram: Construção de São Paulo data de 1998.




Nesse mesmo ano, realiza ainda dois painéis para o Palácio Bandeirantes: Imigração e Substituição, fundidos em latão e alumínio
Em
1999, defende sua tese de doutorado Arte Pública. Sistema Expressivo/Anterioridade, na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo - ECA/USP. [1]
A artista foi uma das personagens reais retratadas pelos autores
Alcides Nogueira e Maria Adelaide Amaral na minissérie Um Só Coração, exibida em 2003 pela Rede Globo, tendo sido interpretada pela atriz Maria Luísa Mendonça.
Em fins de 2004, conclui painel em concreto para a Estação da Luz,










Epopéia Paulista, que narra a história das imigrações à cidade de São Paulo a partir de objetos recolhidos, ao longo de cem anos, pela seção de achados e perdidos da Estação. A empreitada conta com a integração de diversas pessoas, entre artistas e interessados em arte, que participaram do ateliê coletivo instalado no MAC-USP, a fim de gravar as matrizes de madeira que serviram como moldes da obra.


Atualmente, sob reconhecimento de Oscar Niemeyer, arquiteto maior do Brasil, Maria Bonomi desenvolve o painel Etnias: do Primeiro e Sempre Brasil,








obra de arte pública interativa, projetada para o túnel que interliga o Memorial da América Latina à estação Barra Funda. São mais de 50 placas de cerâmica, bronze e alumínio, gravadas em argila, que narram a verdadeira história dos índios brasileiros por meio de uma vasta iconografia de viajantes dos séculos passados e de gravações realizadas pelos próprios remanescentes dos índios Tupi-Guaranis e outras etnias.

(postado por Talita n° 30, 6ª D)

Fontes:
http://www.itaucultural.org.br
Link:
http://www.mariabonomi.com.br